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Cia. Paulista de Estradas de Ferro
(1884-1971)
 FEPASA (1971-1998)
REMANSO
Município de Araras, SP
Tronco original da Paulista-km 126,188
P/RD-01
Ramal de Descalvado - km 126,188
Inauguração: 04.11.1884
Uso atual: demolida com
trilhos
Data de construção
do prédio atual: 1891 (já demolido)
HISTORICO DA LINHA: Em 1876, a Paulista
abria o primeiro trecho, partindo de Cordeiros até Araras, do que
seria o prolongamento de seu tronco. Em 1880, a linha, com o nome de Estrada
do Mogy-Guassú, atingia Porto Ferreira, na mesma época em
que a autorização para cruzar o Mogi e chegar a Ribeirão
Preto foi indeferida pelo Governo Provincial, em favor da Mogiana. A linha,
então, foi desviada para oeste e atingiu Descalvado no final de
1881, seu ponto final. Em 1916, as modificações da Paulista
na área entre Rio Claro e São Carlos, na linha da antiga
Rio-Clarense, fizeram com que o trecho fosse considerado como novo tronco,
deixando a linha a partir de Cordeiros como o Ramal de Descalvado. Desde
o começo em bitola larga (1,60m), ele funcionou para trnes de passageiros
até julho de 1976 (Pirassununga-Descalvado) e até fevereiro
de 1977 (Cordeirópolis-Pirassununga). Trens cargueiros andaram pela
linha até o final dos anos 80. Abandonado, o ramal teve os trilhos
arrancados entre 1996 e 1997, sobrando apenas o trecho inicial até
Araras com seus trilhos enferrujando ao tempo.
A ESTAÇÃO: Aberta em
1884, sendo o fato registrado no relatório anual da Cia. Paulista,
como "foi assentado um desvio de 175 m no km. 9 da 3ª secção,
para a estação de Remanso". Seis anos depois, um outro relatório
da Cia. mostra o estado precário da estação existente:
"foi contratada por empreitada a construcção das estações
definitivas de Remanso, Leme e Goabiroba, que urge não demorar em
vista do máo estado que offerecem as provisorias construidas de
taboas e com dimensões acanhadas..." Em abril de 1891 é anunciado
o término da construção das três novas estações,
e esta é data que mede a idade do prédio demolido há
alguns anos, sobrevivendo portanto cerca de 102 anos. Ela tinha o armazém
incorporado à estação de passageiros. A estação
atendia principalmente às fazendas Remanso e Paineiras, e era a
mais alta do ramal, situada próxima ao divisor de águas da
bacia do Tietê e do Mogi-Guaçu. Como curiosidade, segue a
transcrição de um grave acidente ocorrido na estação,
em 1904: "O accidente deu-se na estação de Remanso, quando
se procedia a descarga de um wagon com inflamaveis e explosivos, tendo
por causa a explosão de um volume com bombas, que ou caíra
no assoalho do wagon ao ser aberta a porta, ou fora atirado na plataforma
da estação pelos dous empregados do trem que faziam a descarga.
Ambos ficaram gravemente feridos, tendo um, infelizmente, fallecido muitos
dias depois do accidente e achando-se o outro em convalescença".
Em 1915, foi estabelecido por curto período de tempo um posto provisório,
no km 128, apenas dois quilômetros à frente da estação.
A fazenda Paineiras era uma das principais usuárias da estação.
De propriedade da família Matthiesen, chegou a ter 230 alqueires
em 1929, com 129 mil cafeeiros, produzindo dez mil arrobas de café,
além da criação de gado e outros animais. Em fevereiro
de 1977, passou por ali o último trem de passageiros, voltando de
Pirassununga para Cordeirópolis. Em 1986, ainda estava de pé,
completamente abandonada e depredada. Foi demolida entre 1992 e 1994, segundo
Marco Aurélio A. Silva, de Pirassununga, estando hoje no meio de
um imenso canavial, mas com o local ainda identificável, embora
tenha de ser necessário se abrir caminho entre o mato alto para
se ver os trilhos e restos de tijolos antigos. A fazenda não se
chama mais Paineiras, não é mais dos Matthiesen (hoje faz
parte do canavial da Usina São João, de Araras) não
planta mais café, mas cana e a sua colônia foi demolida em
fins de 1996 para a plantação de mais cana. Sobrou apenas
a pequena igreja (de 1935), desmontada para ser reerguida na chácara
de seus antigos donos, ali perto. Os trilhos do trecho foram leiloados
em novembro de 2000 e devem ser retirados. (Ralph Mennucci Giesbrecht -
do seu livro "Caminho para Santa Veridiana - As ferrovias em Santa Cruz
das Palmeiras") (Veja também Fazenda Paineiras)
Fonte: Estaçõesferroviarias.com.br
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Remanso em 1918. Álbum dos 50 anos
da Paulista |

Remanso, em foto sem data. Foto
cedida por João Mello |

Plataforma de Remanso, abandonada,
em 1986. Relatório Fepasa, 1986 |

Estação de Remanso, abandonada, em
1986. Relatório Fepasa, 1986
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No lugar de Remanso, somente mato e
desolação cercada pela cana
(15/10/1996). Foto Ralph M.
Giesbrecht |
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