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Cia. Paulista de Estradas de Ferro
(1899-1971)
FEPASA (1971-1997)
LORETO
Município de Araras
Ramal de Descalvado - km 138,780
P/RD-03
Inauguração:
08.12.1899
Uso atual: demolida sem
trilhos
Data de construção
do prédio atual: n/d
HISTORICO DA LINHA: Em 1876, a Paulista
abria o primeiro trecho, partindo de Cordeiros até Araras, do que
seria o prolongamento de seu tronco. Em 1880, a linha, com o nome de Estrada
do Mogy-Guassú, atingia Porto Ferreira, na mesma época em
que a autorização para cruzar o Mogi e chegar a Ribeirão
Preto foi indeferida pelo Governo Provincial, em favor da Mogiana. A linha,
então, foi desviada para oeste e atingiu Descalvado no final de
1881, seu ponto final. Em 1916, as modificações da Paulista
na área entre Rio Claro e São Carlos, na linha da antiga
Rio-Clarense, fizeram com que o trecho fosse considerado como novo tronco,
deixando a linha a partir de Cordeiros como o Ramal de Descalvado. Desde
o começo em bitola larga (1,60m), ele funcionou para trens de passageiros
até julho de 1976 (Pirassununga-Descalvado) e até fevereiro
de 1977 (Cordeirópolis-Pirassununga). Trens cargueiros andaram pela
linha até o final dos anos 80. Abandonado, o ramal teve os trilhos
arrancados entre 1996 e 1997, sobrando apenas o trecho inicial até
Araras com seus trilhos enferrujando ao tempo.
A ESTAÇÃO: A estação
de Loreto foi aberta em 1899, sem merecer uma linha de citação
sobre isso no relatório da Companhia Paulista, a estação
de Loreto se situava onde hoje está o bairro e a igreja do mesmo
nome. Um dos mais importantes hortos da Cia., o Horto de Loreto, era atendido
por esta estação, e, nos anos 30, o maestro e compositor
Villa-Lobos teria composto a música Trenzinho Caipira baseado nesta
estação, depois de ter nela desembarcado para visitar a Fazenda
Santo Antonio, da família Silva Telles, que costumavam seguir dali
para o seu destino em carruagens. Ao redor da igreja costumava-se fazer
festas em homenagem a Nossa Senhora do Loreto, todos os anos, festas para
as quais a Paulista cedia trens especiais que carregavam os convidados.
Nos anos 70, isso acabou. A estação foi desativada em 1962,
de acordo com o relato de seu último chefe, depois removido para
a estação de Cordeirópolis (onde trabalhou de 1963
até 1966, quando se aposentou), Isaías Barreto, hoje (em
2000) com 82 anos. O depoimento de João Mello, hoje veterinário
em Araras, e nascido na frente da estação, é nostálgico:
"Eu costumava entrar no armazém com meus amigos e galgava os sacos
de açúcar; deitados lá em cima deles, ficávamos
observando o carregamento dos trens. Eu morava na casa na frente da estação,
e participava de todas aquelas festas; trens especiais da Paulista traziam
quem quisesse participar. Hoje a casa, que tivemos de vender, foi totalmente
descaracterizada, e o pomar, destruído". A igreja hoje está
fechada, sendo uma das poucas construções que sobraram na
vila, semi-abandonada. Em 1986, a estação ainda estava de
pé, abandonada; foi demolida pouco tempo depois. Perto dali fica
a sede do Horto de Loreto, da Paulista, hoje semi-abandonado e invadido
pelos sem-terra, embora a casa tenha sido recentemente restaurada. Os trilhos
foram retirados em outubro de 1997. A pintora Célia Barcellos imortalizou
a estação a partir de uma velha fotografia, em dois desenhos
em branco e preto. (Ralph Mennucci Giesbrecht - do seu livro "A Estrada
do Mogy-Guassú - A História dos ramais ferroviários
de Descalvado e de Santa Veridiana")
Estação de Loreto,
1918. Foto do álbum dos 50 anos da Paulista
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A estação, provavelmente
anos 20. Foto cedida por João Mello
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Plataforma de Loreto, 1950. Foto
cedida por João Mello, que é o menino menor que aí
aparece
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A estação, apinhada
de gente, provavelmente anos 60. Foto cedida pela EFBrasil
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Estação abandonada
em 1986. Foto do relatório da Fepasa, 1986
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Restos da plataforma da estação
de Loreto, maio de 2000. Foto João Mello
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Fonte: Estaçõesferroviarias.com.br
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